A um grupo de cerca de 600 crianças – com idades compreendidas entre os quatro e os seis anos – foi oferecida a possibilidade de comer um marshmallow (guloseima popular nos Estados Unidos), mas, se elas esperassem quinze minutos antes de o comer, seriam recompensadas com um segundo marshmallow. Com tal desafio, foram deixadas sozinhas na sala.
Algumas comeram imediatamente a guloseima, outras conseguiram resistir durante algum tempo, acabando por também comeram a guloseima. Apenas cerca de um terço resistiu o suficiente para poder ter a segunda guloseima. Anos mais tarde, em estudos de follow-up (de acompanhamento posterior/seguimento), descobriu-se que aquelas crianças que conseguiram esperar tinham as melhores notas na escola e eram as mais bem-sucedidas na vida de uma forma geral.
Este estudo conhecido como o “Teste do marshmallow” (conduzido porWalter Mischel e colegas da Universidade de Stanford em 1970[1]), foi importante para o trabalho de Daniel Goleman que em 1995 lançou um livro, que foi best-seller internacional, intitulado “Inteligência Emocional”[2]. Segundo Goleman, o QE ou IE (Quociente de Inteligência Emocional) é muito mais importante que o QI para determinar o sucesso e felicidade de uma pessoa na vida. Goleman descreve “inteligência Emocional” como tendo cinco aspectos distintos:
Vários estudos demonstram que melhorar o QE ajuda a prevenir e a tratar a depressão, fobias, perturbação obsessivo-compulsiva, stresse pós-traumático, anorexia, bulimia e dependências como, por exemplo, o alcoolismo.[3][4][5] Neste domínio, o programa de 12 passos dos Alcoólicos Anónimos tem alcançado um sucesso notável, mas, é quatro vezes mais bem-sucedido, se for combinado com um programa para aumentar a inteligência emocional.
São vários os factores que influenciam o nosso QE. A nossa construção genética, as experiências da infância, o nível de apoio emocional e condições físicas como a doença, falta de sono e mesmo aquilo que comemos, como bem demonstrou Bonnie Beezhold. [6] Uma alimentação vegetariana reduz o nível de stresse, ansiedade e depressão pelo facto de que a carne e o peixe contêm em abundância o ácido araquidónico, uma gordura inflamatória. No entanto, o fator mais determinante – que por sua vez, não está fora do nosso controle como a constituição genética e as experiências da infância – é aquilo em que acreditamos. As nossas convicções ditam mais acerca da maneira como nos sentimos do que aquilo que propriamente está a acontecer à nossa volta. A forma como pensamos acerca dos nossos problemas e a nossa conversa connosco mesmos modelam as nossas emoções.
As nossas emoções são grandemente afectadas quando temos nas nossas crenças, exigências irracionais, que não toleram a mínima desaprovação, fracasso, dor, rejeição, ou contrariedade. Quando tendemos a nos sentir impotentes e vítimas, quando assumimos que os nossos problemas são determinados por circunstâncias passadas ou presentes fora do nosso controle. Quando um idealismo exacerbado não permite um relacionamento normal com as pessoas à nossa volta.
Estas exigências irracionais estão intimamente relacionadas com distorções cognitivas, como David Burns[7]referiu, das quais passamos a citar alguns exemplos:
Segundo as palavras de um sábio da antiguidade, “Como imaginou no seu coração, assim é ele.” (Prov. 23:7). Portanto, tomar consciência destes erros de pensamento e lutar para corrigi-los a nível mental é fundamental para a nossa felicidade. Ellen White reitera do seguinte modo:
“A doença é muitas vezes produzida, e com frequência grandemente agravada pela imaginação. Muitos que atravessam a vida como inválidos poderiam ser sãos, se tão-somente assim o pensassem. Muitos julgam que a mais leve exposição lhes ocasionará doença, e produzem-se os maus efeitos exactamente porque são esperados. Muitos morrem de doença de origem inteiramente imaginária. O ânimo, a esperança, a fé, a simpatia e o amor promovem a saúde e prolongam a vida. Um espírito contente, animoso, é saúde para o corpo e força para a alma.” "O coração alegre serve de bom remédio." [8]
Daniel Goleman, no seu bestseller sobre inteligência emocional, apresenta o facto de que a atividade mental daqueles que melhor gerem as suas emoções e que, portanto, possuem maior QE – como os meninos que conseguiram esperar que o professor trouxesse o segundo marshmallow depois de quinze minutos – denotam maior atividade na parte superior do cérebro, conhecida como córtex pré-frontal (ou lobos frontais), em detrimento das áreas primárias onde as emoções e os sentimentos são gerados no sistema límbico. Por outras palavras, as pessoas com inteligência emocional mais elevada, processam as suas emoções na região mais nobre do cérebro em vez de se deixaram conduzir por impulsos básicos de emoções não filtradas. Nesse sentido, é interessante notar o trabalho de André Newberg[9] (neurocientista, também chamado de “pai da neuroteologia”), que, com o seu trabalho de investigação, demonstrou que a experiência de meditação e oração religiosa judaico-cristã favorece a atividade mental nessa mesma região do cérebro. A conclusão a que podemos chegar, vai no sentido de que uma experiência religiosa sadia também pode contribuir para melhorar o QE e a felicidade de uma pessoa.