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Relacionamentos e Saúde

Artigo

Relacionamentos e Saúde

  Uma das maiores necessidades do ser humano, é a de construir relacionamentos saudáveis, os quais são promotores de saúde mental, equilibrio, e  de uma vida com sentido. O apoio, a confiança, a disponibilidade, fazem parte de uma relação saudável  tornando-a mais flexível e adaptada numa situação de conflito. A capacidade de amar e sentir-se amada, acrescida da habilidade de criar e manter o dialogo, define a qualidade da relação.

Estudos científicos mostram que um relacionamento saudável é efetivamente um promotor de proteção para o organismo, quer a nível físico quer a nível psíquico. Os benefícios protetores são tão  vastos , que podem inclusive, prevenir alterações na gravidez, em doenças crónicas e cancerosas.

Mas, se por um lado os relacionamentos saudáveis debitam conforto emocional, por outro lado, os relacionamentos conflituosos ou insatisfatórios podem interferir negativamente na saúde das crianças e dos adultos. Relações conjugais insatisfatórias, negligência, violência, maus tratos, entre outros, são modelos de referência precária, que as crianças vão registando e transportando  silenciosamente para a idade adulta.

A este respeito, a OMS define violência como o uso intencional da força física ou do poder, ou em forma de ameaça contra si próprio, contra outra pessoa ou contra um grupo, com potenciais resultados de lesões/danos psicológicos  e danos ao nível do desenvolvimento tais como:

  • emocionais (sentimentos depressivos, baixa auto estima...)
  • comportamentais (enurese...)
  • sociais (isolamento...)
  • físicos (infeções frequentes, fadiga....)

“As doenças endócrinas (ex. diabetes), as doenças auto imunes,  patologias do foro cardíaco e pulmonar  podem ter a sua génese em situações pós traumáticas no período da infância. Esta realidade traduz-se  num grave problema de Saúde Pública com consequências físicas e psicológicas gravíssimas e com custos sociais para as pessoas e para a sociedade.”[1]

No relatório da APAV, no ano de 2013, pode constatar-se o facto de que em Portugal, diariamente, três crianças e 19 adultos são vitimas de violência doméstica.[2]

Quanto sofrimento e desesperança, quantas vidas ceifadas por maus tratos prolongados, fruto de relacionamentos abusivos e insatisfatórios.

Mas, a boa notícia é que todos nós, podemos ser agentes de mudança, atuando, entre outros:

  1. Através da prevenção, adotando um estilo de vida saudável,
  2. No apoio, informando as entidades no terreno, conforme Código Penal Português [3]
  3. No encaminhamento para técnicos adequados (Unidades de Saúde).

Não resisto  em  partilhar uma  afirmação de uma médica pedopsiquiatra, que confirma o parágrafo anterior.

“...Mas a  violência  que se exerce sobre as crianças, seja comunitária ou familiar, abrupta ou crónica, manifesta ou escondida, diz respeito não só aos profissionais  e às famílias, mas também à sociedade em geral , que deve tomar conhecimento da gravidade do problema e participar nas medidas de proteção às crianças e jovens.”[4]

Felizmente que nem todas as crianças vitimas de violência estão condenadas a desenvolver patologias graves.

As respostas sociais como fator protetor, podem proporcionar janelas de oportunidade através do apoio, acompanhamento e capacitação que, gradualmente, poderão potenciar mudanças que marcarão a diferença para o resto da vida.

Outros fatores protetores, são os recursos pessoais que, associados aos sociais, permitem um “virar de página”, reduzindo assim o risco a que estiveram expostos. Eles podem atuar como um escudo para  favorecer o desenvolvimento pessoal, quando o que se previa era justamente o contrário.

Ao falar de recursos, falamos de Stephen Post que tem sido notícia pelas suas pesquisas, que mostram que quando temos um comportamento de generosidade, compaixão, perdão, boa disposição, respeito pelo outro, entre outras caracteristicas pessoais, trazem beneficios, desde a saúde fisica à realização pessoal, podendo inclusive retardar a mortalidade, diminuir a depressão e aumentar o bem estar.[5]

O estímulo  para o uso dos recursos  pessoais e contextuais, pode fazer a diferença face ao risco, ajudando a criança a superar as dificuldades. Tornar-se-á, em adulto, numa pessoa resiliente, capaz de contornar situações difíceis que, à partida, seriam fatores capazes de arruinar o seu futuro.

Para finalizar, acrescentaria a vertente espiritual como um outro contributo precioso, no âmbito da resiliência. A relação positiva entre o perdão e a gratidão estão associados à promoção da saúde à capacidade de sentir emoções positivas, à capacidade  de lidar com a adversidade, e à prevenção da doença.

 

 

[1] DGS (Direção Geral de Saúde), Fev. 2014.

[2] APAV (Apoio à Vítima) www.apav.pt/estatísticas, Relatório de 2013

[3] Código Penal Português, artigo 152, Lei 59/2007 DR  1ª série 4 de Setembro.

[4] Maria José Gonçalves, Análise Psicológica (2003) xxi 23-30 A resiliência das crianças vitimas de violência.

[5] Stephen Post. Jill Neimark, Porque Acontecem Coisas Boas às Pessoas Boas, Sinais de Fogo-Publicações Lda, Lisboa 2008