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Depressão

Artigo

Depressão

O que é a depressão? De acordo com a definição de A. Beck, é uma “síndrome heterogénea que inclui mudanças afetivas, cognitivas, comportamentais e fisiológicas”.
Quando uma pessoa está triste mas mantém a esperança, é uma situação relativamente breve, que não tem repercussões significativas. Contudo, quando se está deprimido, perde-se totalmente a esperança, é uma situação mais prolongada e tem repercussões significativas ao nível do psíquico e do corpo.

A sintomatologia é bastante diversa, desde sintomas cognitivo-verbais, ou seja, as verbalizações ou observações da pessoa: distorções cognitivas, perda de capacidade de concentração e de memorização; sintomas comportamentais, principalmente expressos no comportamento da pessoa: tristeza profunda, lentificação motora, alteração do sono e do apetite, diminuição de atividade e de rendimento, sentimento de inutilidade, profundo desinteresse e apatia, irritabilidade; sintomas somáticos, expressos através de queixas corporais e desordens físicas: fadiga excessiva, mudanças fisiológicas; e sintomas interpessoais, expressos na relação com o outro: dependência, negativismo, isolamento e retraimento muito frequentes.
A depressão pode afetar pessoas de todas as idades e quem sofre de depressão já há vários anos corre alguns riscos, nomeadamente uma angústia profunda, a destruição da sua própria identidade, o retraimento do convívio social e, por vezes, o uso de estratégias erradas. Mas não desespere… A solução é reduzir as dependências e ativar as iniciativas pessoais. Como fazê-lo?
O primeiro passo é querer sair desse estado, o que é ótimo, pois é o princípio da mudança! De seguida, é necessário analisar a situação. Geralmente a pessoa deprimida pensa que é uma “perdedora” e que sempre o será, que não merece viver, tem uma baixa autoestima. Sente-se triste e solitária, porque pensa erradamente que é rejeitada. Muitas vezes, as interpretações da realidade não são necessariamente idênticas à própria realidade. Grande parte das vezes, essas interpretações baseiam-se em princípios cognitivos que podem ser inadequados.
De acordo com o modelo terapêutico de Beck (1982), há necessidade de reconhecer os pensamentos automáticos. Como identificá-los? Através de uma fórmula simples em que o A é o antecedente, o acontecimento ativador (a avaliação que faz da situação), o C é o consequente (resultado) e o B é o que vai influenciar o resultado, ou seja, o que se pensa da situação (B) é que vai influenciar o resultado (C) e não a situação em si (A). Muitas vezes o que influencia o resultado são os erros de pensamento.
O que são erros de pensamento? São pensamentos negativos e “automáticos” (interpretações imediatas que ocorrem sem vontade aparente e que modelam tanto as ações, como as emoções), que se baseiam na fraca opinião que a pessoa tem de si. Não são razoáveis e não têm a mínima utilidade funcional, fazem com que nos sintamos pior e impedem-nos de alcançar o que se pretende. Se ponderar cuidadosamente, irá perceber que chegou a uma conclusão que não é verdadeira, apesar de, no momento, lhe parecer perfeitamente plausível. São exemplos disso:

Ninguém gosta de mim” ou “Eu sou um falhanço total. Nunca vou conseguir o que pretendo da vida”. Este tipo de pensamento é uma hipergeneralização, faz uma afirmação geral e ampla que enfatiza os aspetos negativos. Em vez disso, pense nas pessoas à sua volta, pois, de certeza, tem amigos, e não podemos agradar a todos.

Tudo me corre mal…” É outro erro de pensamento, que consiste em exagerar a situação, em ver determinados acontecimentos de uma forma extrema. Perante uma dificuldade, começa a pensar que tudo vai acabar num desastre, exagera os problemas e as possíveis consequências negativas que poderão surgir. Em vez disso, pense nos seus sucessos ao longo do tempo (e certamente não foram poucos), focalize um problema de cada vez e analise-o com alguém.

Isso não conta…” A pessoa faz uma abstração seletiva, apenas se lembra e se impressiona com os acontecimentos negativos e esquece ou ignora os positivos (empola o negativo e minimiza o positivo). Em vez disso, focalize as suas energias nas suas virtudes e assim irá sentir-se melhor e com força para continuar; se já conseguiu superar tantos obstáculos, será apenas mais um...

O que fazer? Eliminar os pensamentos negativos e substituí-los pelos positivos. Como é possível fazê-lo? Com o confronto da situação. Pergunte a si mesmo: “Por que razão estou a pensar deste modo? Que razões tenho para agir assim ou para pensar desta maneira? É isto que quero para a minha vida? Se sim, tudo bem, caso contrário, porque estou a insistir neste caminho que não me está a ajudar?”
O que está a fazer é reestruturação cognitiva: mudança no pensar, sentir e agir. É outro ponto fundamental para combater a depressão. Através da auto-questionação, pare e pense, reformule o pensamento e redirecione o seu comportamento. Corte e desautomatize o pensamento negativo e circular (que só destrói), não o alimente mais e mude de estratégia e de registo, utilizando o modelo A B C. Substitua os pensamentos negativos por pensamentos racionais, lógicos e coerentes, que originam emoções moderadas e adaptativas e ajudam a alcançar os objetivos.
A mudança é fundamental, e passará, idealmente, pelas seguintes fases:

  1. Pré-contemplação, em que ainda não existe a noção do tipo de problemas que enfrenta e, por esse motivo, não surge a vontade de mudança.
  2. Contemplação, em que já reconhece o/a problema/situação e considera que existe a possibilidade de mudança. É aconselhável não demorar muito tempo nesta fase (máximo 6 meses), pois, caso contrário, a pessoa ficará num impasse. É necessário passar rapidamente à fase seguinte, a:
  3. Preparação, em que a pessoa decide mudar e faz planos para concretizar as mudanças, definindo algumas estratégias e planos de ação. Segue-se a:
  4. Ação, em que se dá a alteração do comportamento. Envolve compromisso, tempo e muita vontade. Nesta fase os resultados são visíveis e reconhecidos, pois é notória a alteração de comportamentos. Deverá ser feita a:
  5. Manutenção, que é a consolidação dos ganhos conquistados; e, por último, a:
  6. Conclusão, em que se constata que o processo de mudança foi concluído com sucesso e sem recaídas. Caso surja alguma dificuldade, já existem mecanismos internos e estratégias para reformular rapidamente o pensamento e a ação.

Há que estabelecer metas e objetivos claros, mas realistas. É fundamental resistir à ideia de estar e andar à deriva. Faça planos e, através de uma auto-descoberta e de uma busca construtiva, descubra as potencialidades que tem dentro de si. Faça da sua vida um projeto pessoal, com novas atividades, crie pontos de interesse, promova a autoaceitação e… não deixe de gostar de si. Coloque uns “óculos” diferentes e não se menospreze!
Não desanime. Pense positivamente e faça já hoje o seu plano de ação!

Isabel Lacerda
Psicóloga